Custo-hora do centro de trabalho: o número que transforma tempo apontado em dinheiro

Custo e preço6 min de leitura

O apontamento diz que a ordem consumiu 14 horas de costura. Quanto isso custou? A resposta depende de um número que precisa existir antes: o custo-hora do centro de trabalho. É um número só, calculado uma vez e revisado de tempos em tempos — e o jeito de calculá-lo errado é tão comum que merece artigo.

Erro 1: salário não é custo

No regime CLT usual, sobre o salário incidem INSS patronal, FGTS, 13º, férias com o terço, e as provisões de rescisão. O multiplicador varia com o regime tributário da empresa, mas para indústria fora do Simples a faixa típica fica em torno de 1,7 — cada R$ 1,00 de salário custa por volta de R$ 1,70. Uma costureira de R$ 2.400 custa cerca de R$ 4.080 por mês. Use o número da sua contabilidade, não o do vizinho; o que não pode é usar 1,0.

Erro 2: dividir pelas horas do contrato

As 220 horas mensais do contrato incluem tudo o que não é produção: parada, limpeza, reunião, treinamento, espera de material. Se as horas realmente produtivas são 176 (80% — número que o próprio apontamento revela), a divisão muda o resultado:

DivisorContaCusto-hora
Horas contratuais (220)4.080 ÷ 220R$ 18,55
Horas produtivas (176)4.080 ÷ 176R$ 23,18

A diferença é 25%. Quem divide pelo contrato espalha as horas improdutivas por horas que não existem — e o custo que entra na ficha técnica sai baixo. O produto parece rentável, o preço é formado sobre essa ilusão, e a margem some no fechamento sem endereço.

A lógica é a mesma da diária do pedreiro: ele cobra pelos dias trabalhados um valor que cobre também os dias sem obra. A hora produtiva precisa pagar a improdutiva, porque não há mais ninguém para pagá-la.

Máquina entra na conta?

Para centros onde a máquina é relevante, somam-se ao custo mensal: depreciação (valor da máquina ÷ vida útil em meses), energia estimada e manutenção média. Numa fábrica leve (costura, montagem manual), esses valores costumam ser pequenos diante da mão de obra — não deixe a busca pela precisão de centavos atrasar o uso do número. Comece com mão de obra + encargos e refine depois.

Um custo-hora por centro, não por pessoa

O custo-hora é do centro de trabalho — a média do posto — e não de cada operador. Individualizar cria duas distorções: o custo do produto passa a depender de quem estava na máquina naquele dia, e o relatório vira ferramenta de vigiar salário em vez de custear produto. Postos muito diferentes entre si (corte automatizado vs. costura manual) é que merecem centros separados, cada um com seu número.

O que levar disso

  • Custo mensal = salário × multiplicador de encargos da SUA contabilidade (~1,7 CLT).
  • Divida por horas produtivas — o apontamento diz quantas são. Contrato mente ~25%.
  • Revise por semestre ou no dissídio; entre revisões, o número é estável o bastante.

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