Lead time: por que a ordem demora semanas se o trabalho leva horas

Produção e produtividade6 min de leitura

Some o tempo de processo de uma peça — corte, estampa, costura, revisão — e o resultado costuma caber num turno. Pergunte quando a ordem fica pronta e a resposta vem em semanas. A diferença entre as duas respostas é fila: a peça passa a maior parte da vida esperando a vez num posto ocupado.

A conta que explica a espera

A relação entre fila e prazo tem nome — Lei de Little — e é aritmética simples aplicada ao que está aberto na fábrica:

lead time médio = ordens em processo ÷ ordens concluídas por período

Uma fábrica que conclui 10 ordens por semana e mantém 30 ordens abertas tem lead time médio de 3 semanas — não importa a velocidade de cada máquina. Se as mesmas 10 por semana saírem com só 15 abertas, o prazo cai para 1,5 semana. Metade do prazo, zero investimento.

Por que todo mundo libera demais

Liberar a ordem cedo dá sensação de andamento: "já está na fábrica". Mas ordem liberada além da capacidade não anda — espera. E espera custa caro de formas que não aparecem no relatório: material cortado empatado no chão, urgência atropelando urgência, setup extra porque a sequência virou bagunça, e o prazo prometido ao cliente escorregando junto.

A regra prática é liberar pelo ritmo do gargalo: novas ordens entram quando o gargalo tem fôlego para recebê-las, não quando o comercial fecha o pedido. O pedido existe, a promessa existe — só a liberação para o chão espera a vez.

Três alavancas, nesta ordem

  1. Menos ordens abertas ao mesmo tempo. É a alavanca da Lei de Little, a mais barata e a mais ignorada. Defina um teto de ordens em processo e só libere quando uma sair.
  2. Lotes menores. Um lote de 5.000 peças ocupa o posto por dias e faz todas as outras ordens esperarem dias. Dois lotes de 2.500 dobram as trocas, mas destravam a fila — a conta vale enquanto o tempo de setup for pequeno diante do ganho de fluxo.
  3. Prioridade única e visível. Se cada encarregado ordena a própria fila, a fábrica inteira otimiza local e atrasa global. Uma sequência única — data prometida, da mais próxima para a mais distante — resolve a maioria dos casos.

Como saber se está funcionando

Dois números do próprio sistema: o lead time medido (dias entre liberar e concluir cada ordem, em média móvel) e a contagem de ordens abertas. Se a contagem cai e a conclusão semanal se mantém, o prazo está caindo — antes mesmo de o cliente notar. Se a conclusão semanal cair junto, o teto ficou baixo demais: suba um degrau.

O que levar disso

  • Prazo é fila. As máquinas respondem por uma fração pequena do lead time.
  • lead time = em processo ÷ vazão — controlar o que está aberto controla o prazo.
  • Liberar ordem cedo não adianta o trabalho; só antecipa a espera.

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