Em que ordem produzir: sequenciamento sem software de otimização
Numa fábrica pequena, o sequenciamento costuma ser assim: cada encarregado olha a pilha de ordens no posto e escolhe a próxima — pelo que é mais fácil, pelo cliente que ligou hoje, pelo setup que aproveita a cor que já está na máquina. Cada escolha faz sentido local. O conjunto atrasa.
Uma regra vale mais que a regra perfeita
Software de otimização de sequência existe, e para a maioria das fábricas pequenas é exagero. O salto de qualidade não está em achar a sequência ótima — está em todos os postos seguirem a mesma regra, para a peça não ganhar prioridade num posto e perdê-la no seguinte. Três regras cobrem quase tudo:
1. Data prometida primeiro (EDD)
Produz-se primeiro o que vence primeiro. Num posto, essa regra minimiza o maior atraso — nenhuma outra sequência faz o pior caso ficar melhor. É a escolha natural de quem vende com prazo: distribui o atraso inevitável em vez de concentrá-lo num cliente só.
2. Ordem de chegada (FIFO)
Simples, justa, à prova de discussão — ninguém "fura fila". É a regra certa quando os prazos são folgados e parecidos, e a previsibilidade importa mais que a otimização. Seu limite: ignora urgência de verdade.
3. Trabalho mais curto primeiro (SPT)
Num posto, processar o serviço mais rápido primeiro minimiza o tempo médio que as ordens passam na fila — mais ordens saem cedo, o estoque em processo cai. O preço: o trabalho longo espera sempre, e sem um limite ele espera para sempre. Se usar SPT, acople um teto ("nenhuma ordem espera mais que X dias") que promove a ordem envelhecida ao topo.
E a tentação de agrupar por setup?
Agrupar ordens da mesma cor ou do mesmo ferramental economiza troca — e é legítimo, no gargalo, onde hora economizada é produção ganha. Fora do gargalo, agrupar só reordena a fila em benefício do posto e à custa do prazo dos outros. A regra prática: sequência global por data prometida; o gargalo pode reagrupar localmente desde que nenhuma ordem cruze a data por causa disso.
O que o sistema precisa dar
Qualquer regra exige duas informações visíveis no chão de fábrica: a data prometida de cada ordem e a fila do posto na ordem decidida — não uma pilha de papéis que cada um embaralha. Se o operador vê a fila na tela, na sequência certa, a regra se cumpre sozinha; se a sequência mora na cabeça do PCP, ela morre no primeiro dia de férias dele.
O que levar disso
- Regra única e visível vence regra ótima que só um sabe aplicar.
- EDD para quem vive de prazo; SPT esvazia fila, mas exige teto de espera.
- Agrupar por setup só se justifica no gargalo — e sem estourar data prometida.
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