Custo médio móvel ou PEPS: qual número o estoque devolve

Custo e preço5 min de leitura

Duas fábricas compram o mesmo material, pelos mesmos preços, e fecham o mês com custos diferentes. Não há erro em nenhuma das duas: elas valorizam a saída do estoque por métodos diferentes. Saber qual método o seu sistema aplica não é detalhe contábil, porque é esse número que entra na ficha de custo e, por consequência, no preço de venda.

As duas contas sobre o mesmo estoque

Um material comprado em dois lotes, com aumento no meio do caminho:

  • Compra 1: 100 kg a R$ 10,00 = R$ 1.000,00
  • Compra 2: 100 kg a R$ 14,00 = R$ 1.400,00
  • Saldo antes da saída: 200 kg, R$ 2.400,00

A produção consome 120 kg. Cada método responde de um jeito:

MétodoCusto da saídaEstoque que sobra (80 kg)
Médio móvel (R$ 12,00/kg)R$ 1.440,00R$ 960,00
PEPS (100 kg a 10,00 mais 20 kg a 14,00)R$ 1.280,00R$ 1.120,00

As duas linhas somam R$ 2.400,00. O que muda é onde o dinheiro aparece: o PEPS empurra R$ 160,00 do custo deste mês para o estoque, e esse valor volta como custo no mês seguinte. Sobre os 120 kg consumidos, a diferença é de R$ 1,33 por quilo.

O que isso faz com o seu resultado

Com preço subindo, o PEPS mostra um mês melhor do que a operação foi: ele registra o consumo pelo preço velho enquanto a reposição já custa o preço novo. O médio móvel reage mais rápido, porque a compra cara entra na média assim que chega. Nenhum dos dois mente. Mas se o preço de venda for calculado sobre o custo do PEPS num mês de alta, a margem que aparece na planilha não vai existir no caixa, porque repor aquele material custará mais. É o mesmo raciocínio da formação de preço: a conta precisa olhar o custo de repor, não o de comprar no passado.

Qual dos dois usar

  • Médio móvel para material fungível, comprado com frequência e sem identidade própria: tinta, linha, insumo a granel. É simples de manter, e o número não depende de qual lote o almoxarife pegou primeiro.
  • PEPS para material com validade, com variação grande de preço entre lotes ou com exigência de rastreabilidade por lote. Aqui o lote já tem identidade, e amarrar o custo a ele custa pouco a mais.

A escolha é por item, não pela empresa inteira. O que não vale é alternar: trocar de método no meio do ano cria um degrau no custo que ninguém consegue explicar depois.

O detalhe que quase todo mundo esquece

Custo de estoque não é só o preço da nota. Frete, seguro e despesa de importação entram no custo de aquisição; imposto recuperável, quando a empresa se credita, não entra. Uma fábrica que lança o frete como despesa do mês, e não no custo do material, subestima a ficha técnica em silêncio. O erro cresce justamente onde o frete pesa: material volumoso e barato.

O que levar disso

  • Médio e PEPS somam o mesmo no total; eles discordam sobre o mês.
  • Preço se calcula olhando o custo de repor, não o de um lote antigo.
  • Frete e seguro fazem parte do custo do material, não da despesa do mês.

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