Custo médio móvel ou PEPS: qual número o estoque devolve
Duas fábricas compram o mesmo material, pelos mesmos preços, e fecham o mês com custos diferentes. Não há erro em nenhuma das duas: elas valorizam a saída do estoque por métodos diferentes. Saber qual método o seu sistema aplica não é detalhe contábil, porque é esse número que entra na ficha de custo e, por consequência, no preço de venda.
As duas contas sobre o mesmo estoque
Um material comprado em dois lotes, com aumento no meio do caminho:
- Compra 1: 100 kg a R$ 10,00 = R$ 1.000,00
- Compra 2: 100 kg a R$ 14,00 = R$ 1.400,00
- Saldo antes da saída: 200 kg, R$ 2.400,00
A produção consome 120 kg. Cada método responde de um jeito:
| Método | Custo da saída | Estoque que sobra (80 kg) |
|---|---|---|
| Médio móvel (R$ 12,00/kg) | R$ 1.440,00 | R$ 960,00 |
| PEPS (100 kg a 10,00 mais 20 kg a 14,00) | R$ 1.280,00 | R$ 1.120,00 |
As duas linhas somam R$ 2.400,00. O que muda é onde o dinheiro aparece: o PEPS empurra R$ 160,00 do custo deste mês para o estoque, e esse valor volta como custo no mês seguinte. Sobre os 120 kg consumidos, a diferença é de R$ 1,33 por quilo.
O que isso faz com o seu resultado
Com preço subindo, o PEPS mostra um mês melhor do que a operação foi: ele registra o consumo pelo preço velho enquanto a reposição já custa o preço novo. O médio móvel reage mais rápido, porque a compra cara entra na média assim que chega. Nenhum dos dois mente. Mas se o preço de venda for calculado sobre o custo do PEPS num mês de alta, a margem que aparece na planilha não vai existir no caixa, porque repor aquele material custará mais. É o mesmo raciocínio da formação de preço: a conta precisa olhar o custo de repor, não o de comprar no passado.
Qual dos dois usar
- Médio móvel para material fungível, comprado com frequência e sem identidade própria: tinta, linha, insumo a granel. É simples de manter, e o número não depende de qual lote o almoxarife pegou primeiro.
- PEPS para material com validade, com variação grande de preço entre lotes ou com exigência de rastreabilidade por lote. Aqui o lote já tem identidade, e amarrar o custo a ele custa pouco a mais.
A escolha é por item, não pela empresa inteira. O que não vale é alternar: trocar de método no meio do ano cria um degrau no custo que ninguém consegue explicar depois.
O detalhe que quase todo mundo esquece
Custo de estoque não é só o preço da nota. Frete, seguro e despesa de importação entram no custo de aquisição; imposto recuperável, quando a empresa se credita, não entra. Uma fábrica que lança o frete como despesa do mês, e não no custo do material, subestima a ficha técnica em silêncio. O erro cresce justamente onde o frete pesa: material volumoso e barato.
O que levar disso
- Médio e PEPS somam o mesmo no total; eles discordam sobre o mês.
- Preço se calcula olhando o custo de repor, não o de um lote antigo.
- Frete e seguro fazem parte do custo do material, não da despesa do mês.
Continue por aqui
- A matéria-prima subiu: quanto repassar para não perder margemComo repassar o aumento da matéria-prima no preço de venda?
- Dar 10% de desconto exige vender quanto a mais?Quanto preciso vender a mais para compensar um desconto?
- Rateio de custo indireto: distribuir sem inventar númeroComo ratear os custos indiretos entre os produtos?
