Manutenção preventiva: quando ela paga e quando é desperdício
Existem duas posições confortáveis e igualmente erradas sobre manutenção. Uma diz que preventiva é sempre certo, e leva a fábrica a gastar com plano de lubrificação em máquina que passa metade do dia parada por falta de trabalho. A outra diz que preventiva é gasto de empresa grande, e descobre o preço no dia em que o gargalo para por oito horas em plena semana de entrega. A saída é fazer a conta, que é curta.
A conta
custo esperado da quebra = probabilidade no período × (horas paradas × valor da hora + conserto)
Se esse número for maior que o custo da preventiva no mesmo período, a preventiva paga. O termo que muda tudo é o valor da hora parada, e ele depende inteiramente de onde a máquina está.
Caso 1: a máquina é o gargalo
O posto entrega 15 peças por hora e cada peça tem R$ 3,17 de margem de contribuição. Hora parada no gargalo é hora que a fábrica inteira não repõe: R$ 47,55 por hora.
- Parada média por quebra: 8 horas, ou R$ 380,40 de margem perdida.
- Conserto: R$ 1.200. Custo total do evento: R$ 1.580,40.
- Histórico: uma quebra a cada quatro meses, ou 25% de chance por mês.
- Custo esperado por mês: R$ 395,10.
Um plano preventivo de R$ 250 por mês, com troca programada de peça de desgaste e visita do técnico, sai mais barato que o custo esperado da quebra. Paga, e ainda entrega algo que a conta não captura: a parada acontece na hora marcada, não na véspera da entrega.
Caso 2: a mesma quebra fora do gargalo
Máquina com capacidade sobrando: parar 8 horas não custa margem, porque a produção se recupera no mesmo dia. Sobra apenas o conserto:
- Custo esperado por mês: 25% × R$ 1.200 = R$ 300.
- Contrato preventivo oferecido: R$ 400 por mês.
Aqui a preventiva não paga. A decisão econômica é rodar até quebrar e investir os R$ 100 de diferença em algo que reduz o tempo de parada, como manter em casa a peça que sempre falta. É a mesma lógica de curva ABC: gestão fina onde o valor está, regra barata no resto.
Três coisas que ficam fora da planilha
- Segurança. Falha com risco a pessoa não entra em análise de custo. É preventiva obrigatória, e ponto.
- Qualidade. Máquina desregulada produz refugo antes de parar de vez, e o custo do refugo costuma superar o do conserto.
- Prazo prometido. Quebrar na semana da entrega tem custo comercial que não aparece na margem daquele mês.
Como conseguir os números sem projeto novo
Os dois dados que a conta exige são o tempo de parada e a frequência. Ambos saem do apontamento, desde que a parada seja registrada com motivo. Três meses de histórico já mostram quais máquinas concentram as horas paradas, e essa lista costuma ser curta: em fábrica pequena, duas ou três máquinas respondem pela maior parte das interrupções. É por elas que o plano começa, não pela mais cara nem pela mais nova.
O que levar disso
- Preventiva paga quando o custo esperado da quebra supera o custo do plano.
- A hora parada no gargalo vale margem da fábrica; fora dele, quase nada.
- Segurança e refugo saem da planilha e entram como obrigação.
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