Manutenção preventiva: quando ela paga e quando é desperdício

Produção e produtividade5 min de leitura

Existem duas posições confortáveis e igualmente erradas sobre manutenção. Uma diz que preventiva é sempre certo, e leva a fábrica a gastar com plano de lubrificação em máquina que passa metade do dia parada por falta de trabalho. A outra diz que preventiva é gasto de empresa grande, e descobre o preço no dia em que o gargalo para por oito horas em plena semana de entrega. A saída é fazer a conta, que é curta.

A conta

custo esperado da quebra = probabilidade no período × (horas paradas × valor da hora + conserto)

Se esse número for maior que o custo da preventiva no mesmo período, a preventiva paga. O termo que muda tudo é o valor da hora parada, e ele depende inteiramente de onde a máquina está.

Caso 1: a máquina é o gargalo

O posto entrega 15 peças por hora e cada peça tem R$ 3,17 de margem de contribuição. Hora parada no gargalo é hora que a fábrica inteira não repõe: R$ 47,55 por hora.

  • Parada média por quebra: 8 horas, ou R$ 380,40 de margem perdida.
  • Conserto: R$ 1.200. Custo total do evento: R$ 1.580,40.
  • Histórico: uma quebra a cada quatro meses, ou 25% de chance por mês.
  • Custo esperado por mês: R$ 395,10.

Um plano preventivo de R$ 250 por mês, com troca programada de peça de desgaste e visita do técnico, sai mais barato que o custo esperado da quebra. Paga, e ainda entrega algo que a conta não captura: a parada acontece na hora marcada, não na véspera da entrega.

Caso 2: a mesma quebra fora do gargalo

Máquina com capacidade sobrando: parar 8 horas não custa margem, porque a produção se recupera no mesmo dia. Sobra apenas o conserto:

  • Custo esperado por mês: 25% × R$ 1.200 = R$ 300.
  • Contrato preventivo oferecido: R$ 400 por mês.

Aqui a preventiva não paga. A decisão econômica é rodar até quebrar e investir os R$ 100 de diferença em algo que reduz o tempo de parada, como manter em casa a peça que sempre falta. É a mesma lógica de curva ABC: gestão fina onde o valor está, regra barata no resto.

Três coisas que ficam fora da planilha

  • Segurança. Falha com risco a pessoa não entra em análise de custo. É preventiva obrigatória, e ponto.
  • Qualidade. Máquina desregulada produz refugo antes de parar de vez, e o custo do refugo costuma superar o do conserto.
  • Prazo prometido. Quebrar na semana da entrega tem custo comercial que não aparece na margem daquele mês.

Como conseguir os números sem projeto novo

Os dois dados que a conta exige são o tempo de parada e a frequência. Ambos saem do apontamento, desde que a parada seja registrada com motivo. Três meses de histórico já mostram quais máquinas concentram as horas paradas, e essa lista costuma ser curta: em fábrica pequena, duas ou três máquinas respondem pela maior parte das interrupções. É por elas que o plano começa, não pela mais cara nem pela mais nova.

O que levar disso

  • Preventiva paga quando o custo esperado da quebra supera o custo do plano.
  • A hora parada no gargalo vale margem da fábrica; fora dele, quase nada.
  • Segurança e refugo saem da planilha e entram como obrigação.

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