Ponto de pedido: comprar antes de faltar, sem encher o almoxarifado

Estoque e materiais5 min de leitura

Comprar matéria-prima tem dois erros possíveis, e a maioria das fábricas alterna entre eles: comprar tarde (a produção para, o frete vira aéreo, o fornecedor cobra urgência) e comprar cedo demais (o caixa vira estante de bobina). O ponto de pedido substitui o "acho que está acabando" por um gatilho numérico.

A conta

ponto de pedido = consumo diário médio × prazo de reposição (dias) + estoque de segurança

A lógica: no momento em que a compra é disparada, o estoque precisa aguentar até o material chegar. Se o consumo é 20 kg/dia e o fornecedor entrega em 10 dias, o mínimo aritmético são 200 kg. O estoque de segurança cobre o que a média não conta — atraso do fornecedor e semana de consumo acima do normal. Uma régua honesta para começar: o pior atraso recorrente. Se o fornecedor já atrasou 3 dias, segurança = 3 × 20 = 60 kg. Ponto de pedido: 200 + 60 = 260 kg.

Os três números têm dono

  • Consumo diário — sai das baixas de estoque dos últimos meses. Não use a memória do comprador: ela lembra dos meses cheios.
  • Prazo de reposição — do pedido ao material disponível, incluindo emissão, transporte e inspeção de recebimento. Medir da entrada da nota esconde dias reais.
  • Segurança — começa pela regra do pior atraso e se ajusta com a prática: material que nunca faltou com segurança alta pode descer; o que faltou, sobe.

Quanto comprar é outra pergunta

O ponto de pedido diz quando; o lote de compra diz quanto. Na prática da pequena indústria, o lote sai de restrições concretas — mínimo do fornecedor, múltiplo de bobina, frete que só compensa fechado — mais do que de fórmula. A regra de bolso: compre o que o consumo do ciclo pede, arredondado para a restrição comercial mais próxima. Fórmulas de lote econômico exigem custos de pedido e de armazenagem que quase ninguém tem medidos; sem esses números, elas só dão aparência científica a um chute.

Nem todo item merece essa atenção

Ponto de pedido bem mantido dá trabalho: consumo revisado, prazos atualizados. Aplique nos itens que param a fábrica — os A da curva ABC e qualquer material de prazo de reposição longo. Para os C baratos, uma regra grosseira ("acabou a penúltima caixa, compra") custa menos que a manutenção da régua fina.

O sistema vigia melhor que o olho

A régua só funciona se alguém olhar o saldo todo dia — ou se o sistema fizer isso sozinho e avisar quando o saldo tocar o ponto. É um alerta simples, mas muda o comportamento: a compra deixa de depender de alguém lembrar de conferir, e o item some da lista de emergências. O MRP completo (explodir as necessidades pela ficha técnica das ordens planejadas) é o passo seguinte; o ponto de pedido é o piso que já elimina a maior parte das faltas.

O que levar disso

  • Ponto de pedido = consumo × prazo + segurança. Três números medidos, não estimados.
  • Segurança começa pelo pior atraso recorrente e se ajusta com a realidade.
  • Régua fina para os itens A; regra grosseira e barata para os C.

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