Estoque parado: o custo mensal que não aparece em boleto nenhum

Estoque e materiais5 min de leitura

Estoque tem uma vantagem injusta sobre os outros custos: ele não chega por boleto. O aluguel cobra, a folha cobra, o imposto cobra — o estoque só ocupa prateleira e parece patrimônio. Mas cada real parado ali é um real que a empresa pagou e ainda não recebeu de volta, e esse dinheiro tem preço.

A conta mínima

custo mensal ≥ estoque médio × custo de capital ao mês

Se a empresa paga (ou deixa de ganhar) 1,5% ao mês pelo dinheiro — taxa modesta para quem usa capital de giro bancário —, um estoque médio de R$ 300.000 custa R$ 4.500 por mês: R$ 54.000 por ano. É um salário bom pago à prateleira. E esse é o piso; em cima dele vêm:

  • espaço — a área do almoxarifado poderia ser produção;
  • obsolescência — cor que saiu de linha, cliente que mudou a arte;
  • perda física — avaria, umidade, validade, extravio;
  • seguro e manuseio — mover, contar, guardar de novo.

O termômetro: giro

giro = consumo anual (a custo) ÷ estoque médio

Consumo de R$ 1,2 milhão/ano com estoque médio de R$ 300 mil = giro 4: o estoque fica, em média, três meses parado antes de virar produto. Não existe giro "certo" universal — matéria-prima importada pede cobertura maior que a comprada na cidade —, mas a tendência é inequívoca: giro caindo significa dinheiro empoçando.

Onde o estoque incha sem ninguém decidir

  • Lote de compra "para aproveitar o preço". O desconto de 5% na compra grande perde para 1,5% ao mês de capital em quatro meses de prateleira. A conta precisa ser feita, não presumida.
  • Segurança que só sobe. Faltou uma vez, alguém dobra o mínimo — e nunca mais revisa. O ponto de pedido com números medidos substitui o medo por régua.
  • Produto acabado sem pedido. Produzir "para não parar a máquina" converte capacidade ociosa em capital imobilizado — e esconde o problema real, que é falta de venda ou de sequenciamento.
  • Material em processo. Ordem liberada cedo demais vira bobina cortada esperando no chão. É estoque disfarçado de andamento — o artigo de lead time mostra por quê.

Por onde começar a soltar

Pelo relatório de saldo × última movimentação: itens sem consumo há 6+ meses são a lista da vergonha — negocie devolução, promova, use como matéria-prima alternativa ou baixe de vez. Depois, trave a torneira: lote de compra questionado, segurança revisada por dado, produção sempre contra pedido ou previsão explícita. Estoque saudável não é estoque zero — é estoque que alguém decidiu ter, sabendo o preço.

O que levar disso

  • Estoque médio × custo de capital: calcule uma vez e o assunto muda de tom.
  • Giro caindo = dinheiro empoçando, mesmo que o lucro do mês pareça bom.
  • Ataque primeiro o que não gira há meses; depois feche as torneiras que o criaram.

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