Os 6 indicadores que uma pequena indústria deveria olhar antes de qualquer outro
O erro dos painéis de gestão não é falta de número — é excesso. Quarenta indicadores viram papel de parede em uma semana. Uma pequena indústria precisa de poucos, cada um respondendo a uma pergunta que o dono realmente faz, cada um com dono e com reação combinada quando sair da faixa.
1. Entrega no prazo (OTIF)
Estou cumprindo o que prometi? Pedidos entregues completos e na data ÷ pedidos entregues. É o indicador que o cliente sente na pele — e o primeiro a derreter quando a fábrica aceita mais do que a capacidade comporta. Abaixo de 90%, pare de vender prazo e vá entender a fila.
2. Lead time de produção
Quanto tempo entre liberar e concluir? A média móvel das ordens concluídas no mês. Subindo, a fila está crescendo — e o OTIF do mês seguinte já está comprometido, mesmo que o de hoje pareça bom. É o indicador que antecede o problema; o OTIF só confirma depois.
3. Aproveitamento da produção
O que planejo virar produto está virando? Produzido ÷ planejado por ordem. Abaixo de 95%, ou há perda real (refugo, falta de material) ou há apontamento ruim — os dois merecem conversa, e são conversas diferentes.
4. Custo real ÷ custo planejado
Minhas fichas técnicas falam a verdade? Por ordem concluída: o custo apurado (material baixado + horas apontadas) contra o que a ficha previa. Acima de 1,05× consistentemente, a ficha está otimista — e o preço formado sobre ela está financiando o erro. Este indicador é o elo entre a fábrica e a margem: quando ele degrada, o lucro some sem que nenhuma venda pareça ruim.
5. Margem por produto
Em que eu ganho e em que eu perco dinheiro? Com custo real e preço praticado, a margem deixa de ser média geral e vira lista ordenada. Quase sempre há um produto querido no fim da lista — vendido por hábito, precificado há dois anos. A decisão (reajustar, reformular, descontinuar) é sua; a lista só impede que ela continue não sendo tomada.
6. Caixa projetado a 8 semanas
Em que semana o dinheiro aperta? Títulos a receber e a pagar por vencimento, folha e recorrentes — o fluxo projetado que transforma susto em agenda. Indicador binário na prática: alguma semana fica vermelha ou não fica.
O que ficou de fora, e por quê
OEE, giro de estoque, acuracidade, inadimplência — todos úteis, nenhum primeiro. A regra de corte: comece pelos que respondem promessa (1, 2), execução (3, 4) e sobrevivência (5, 6). Quando esses seis estiverem estáveis e lidos toda semana, os outros entram um a um — cada novo indicador custa atenção, e atenção é o recurso que o painel existe para economizar.
E a condição de existência de todos: dado apontado na origem. Indicador montado em planilha à parte morre no segundo mês; indicador que o sistema calcula sozinho a partir da operação sobrevive a férias, dissídio e correria.
O que levar disso
- Seis perguntas de dono, seis números — e reação combinada para cada faixa.
- Lead time antecipa o OTIF; custo real ÷ planejado antecipa a margem.
- Indicador sem dado automático da operação é promessa de planilha abandonada.
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