DRE gerencial: fechar o mês da fábrica em uma página

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A contabilidade entrega o resultado do mês passado por volta do dia 20 do mês seguinte, no formato que a legislação pede. É um documento correto e quase inútil para decidir: chega tarde e é organizado por natureza de despesa, e não por comportamento. O DRE gerencial resolve os dois problemas, e cabe em uma página.

A estrutura

LinhaValor
Receita brutaR$ 240.000
Impostos sobre venda (12%)R$ 28.800 negativos
Receita líquidaR$ 211.200
Material consumidoR$ 96.000 negativos
Comissões (5% da bruta)R$ 12.000 negativos
Frete de vendaR$ 6.000 negativos
Margem de contribuição (46,0%)R$ 97.200
Folha da produçãoR$ 48.000 negativos
Folha administrativaR$ 22.000 negativos
Aluguel, energia e utilidadesR$ 17.000 negativos
Depreciação e outros fixosR$ 7.000 negativos
Resultado operacional (1,5%)R$ 3.200

A linha que faz a diferença

A margem de contribuição não existe no DRE contábil, e é ela que responde à pergunta do dono. Com 46,0% de margem, cada real faturado a mais devolve 40 centavos de resultado, depois do imposto. E o ponto de equilíbrio do mês sai direto dela:

equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição em %

R$ 94.000 de fixos divididos por 0,46 dão R$ 204,2 mil de receita líquida, ou cerca de R$ 232,1 mil de faturamento bruto. A empresa faturou R$ 240 mil, passou do equilíbrio por R$ 7,9 mil, e é exatamente daí que vêm os R$ 3.200 de resultado. A conta fecha nos dois sentidos, o que serve de conferência: se não fechar, uma despesa está no balde errado. A mesma lógica, na visão por peça, está no artigo sobre margem de contribuição e ponto de equilíbrio.

Onde as fábricas erram na separação

  • Folha da produção como variável. Mensalista não varia com o volume do mês; ele varia com a decisão de contratar. Fica nos fixos, o que não impede tratar hora extra como variável, porque ela é.
  • Energia inteira como variável. Parte é demanda contratada e existe com a fábrica parada. Se a separação for difícil, escolha um dos lados, declare a escolha e mantenha ela todo mês. Consistência importa mais que precisão aqui.
  • Pró-labore e retirada misturados. Retirada de sócio não é despesa operacional. Misturar as duas coisas esconde se a operação se paga.
  • Depreciação tratada como caixa. Ela pertence ao resultado, não ao fluxo de caixa. São documentos diferentes, e um mês pode ser bom em um e ruim no outro.

Fechar no dia cinco

O DRE gerencial não precisa de conciliação bancária completa nem de todas as notas lançadas. Ele precisa de faturamento do mês, consumo de material valorizado pelo estoque, comissões e a lista de fixos, que muda pouco de um mês para o outro. Se o consumo de material sair do sistema pelo custo médio do estoque na baixa da produção, o fechamento vira consulta em vez de apuração, e a conversa acontece com cinco dias de mês corrido, ainda dentro do prazo de fazer alguma coisa a respeito.

O que levar disso

  • Organize por comportamento, não por natureza: variável, depois fixo.
  • A margem de contribuição em percentual dá o ponto de equilíbrio do mês.
  • Consistência na separação vale mais que precisão contábil.

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